A elegia n.º 3 : A minha mente abandonada

A minha janela da sala grande

A minha janela da sala grande

Aos poucos fui-me matando. Sem o saberes, morri.


Quando vieste ter comigo, perguntaste-me porquê. Sem te conseguir ver ou ouvir, babava-me e olhava no vazio horizonte.


Depois acordei. Tinha 12 anos e estava com outros meninos e meninas grandes da minha idade. Às vezes falávamos de coisas diferentes.


Hoje alguém gostou de mim mas não me lembro.


Ontem disseram-me o meu nome mas já me esqueci. Também não faz mal.


Gosto da música da sala grande. Quando estou na sala grande consigo escrever.


À pouco ele disse-me que dantes tinha amigos que me vinham visitar e me abraçavam. Perguntou-me se eu já não tinha amigos. Disse-lhe que não sabia. Acho que ninguém se lembra.


Agora lembrei-me de qualquer coisa boa d’antigamente. Mas esqueci. Às vezes apetece-me saber coisas.

Hoje não.

~ por Pedro Carvalho em Outubro 26, 2009.