Poesia: Sophia de Mello Breyner – Arte Poética III
“A coisa mais antiga de que me lembro é de um quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima de uma mesa, uma maçã enorme vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira. Não era nada de fantástico, não era nada de imaginario: era a própria presença do real que eu descobria. [...]
A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida. A poesia foi sempre para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda de uma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do amor e da luz, evoluíu, evoluíu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o Homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levodo a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.”
Sophia de Mello Breyner Andresen em Arte Poética III, 1964 (também dito no seu discurso de Julho de 1964, na Sociedade Portuguesa de Escritores, aquando da entrega do Grande Prêmio de Poesia à sua obra Livro Sexto)



que bela visão
Gostei do seu blog.
E essa foto é deliciosa. Não dá vontade de parar de olhar para ela. Uma sensação de paz. É em Portugal essa praia?
Abs,
Obrigado! é, Chama-se Praia das Pedrinhas e pertence a Fão (a sul de Esposende) no norte de Portugal.
Adoro o teu site, a organização e agora este poema, ainda bem que dediquei esta noite ao prazer cultural que me vem da internet…
e que praia mesmo linda para ser feliz
continuo a passear pelos teus blogs, fotos e gostos musicais, mas a imagem do cabeçalho é que merecia um dos teus belos clicks.
beijocas, aprecio o descanso das odrinhas andorinhas,gosto de lá estar mas domingo é ao pé do mar