Poesia: A minha Morte – Florbela Espanca – Esparsos de Florbela
Florbela Espanca foi, para mim, a maior poetisa de sempre. Identifico-me em poemas dela que nenhum outro poeta soube escrever. Este é o primeiro de uma série de poemas seleccionados e transcritos por mim, da antologia Poesia Completa, que integra os vários livros de poemas editados e outros poemas esparsos.
A minha Morte
Eu quero, quando morrer, ser enterrada
Ao pé do Oceano ingénuo e manso,
Que reze à meia-noite em voz magoada
As orações finais do meu descanso…
Há-de embalar-me o berço derradeiro
O mar amigo e bom para eu dormir!
Velei na vida o meu viver inteiro,
E nunca mais tive um sonho a que sorrir!
E tu hás-de lá ir… bem sei que vais…
E eu do brando sono hei-de acordar
Para teus olhos ver uma vez mais!
E a Lua há-de dizer-me me voz mansinha:
- Ai, não te assustes… dorme… foi o Mar
Que gemeu… não foi nada… ’stá quietinha…
Florbela Espanca em [Esparsos de Florbela]


