Documentário: Karima – 2002 – Clarisse Hahn

Aproveitei ter a sexta-feira livre e fui até Lisboa para acompanhar o resto do Cinema Francês em Almada. Outra das coisas que queria fazer era assistir ao DocLisboa e ao BD Amadora.
Como não tinhamos muitas pressas, acabamos (eu e a Inês) por ver, no dia 20, no Cinema Londres (sala 1) Karima de Clarisse Hahn.

doclisboa karima - hahn - capa
Karima – documentário – 98′

Realização: Clarisse Hahn
Ano: 2002
Duração: 98´
Sinopse:
Clarisse Hahn acompanha durante um ano Karima, uma dominatrix argelina. O filme alterna as sessões de pedagogia sado-masoquista com cenas da vida familiar de Karima, sempre com uma televisão ligada em pano de fundo. Um retrato completo das relações pessoais, familiares e profissionais de uma jovem cujo trabalho está sujeito a diversos preconceitos sociais.

doclisboa karima

A minha opinião:
Chegamos já em cima da hora e entramos já com o filme a passar. Enquanto escolhíamos um lugar, Karima praticava fist-fuck ao seu servo. Já sentado, pela primeira vez naquelas famosas cadeiras confortabilíssimas, vi Karima, uma jovem dominatrix a enfiar completamente o punho dentro do ânus do seu escravo sexual. Quando se cansou, deu permissão ao escravo para se masturbar para a barriga dele. Isto foi a gota de “água” para muitos, e o ecrã começou a povoado de sombras que saiam. Se isto não é um óptimo começo não sei o que poderá ser…

O documentário provoca sempre uma reacção, e as cenas de Mistress a subjugar o escravo sexual que vive com ela à 2 anos, são intercaladas com diálogos sobre a temática Sado-masoquismo. Nestas conversas, nota-se que Karima é realmente uma jovem rapariga no submundo. Começamos a conhecer os meandros da noite de Paris, dos seus amigos e das suas namoradas.

doclisboa karima e a sua mãe

Começamos também a notar a fadiga em Karima, que no fim admite querer sair deste mundo e partir para o sul de França, Marselha. Conhecemos também a família de Karima, oriunda da Argélia. Achei enfadonho a parte da vida familiar, com as crianças a berrar e a vestirem-se como Karima. Por outro lado foi muito interessante ver como Karima tinha um papel maternal, mas tal como a amiga, não víamos o lado apaixonado dela. Pelo meio foi discutido o valor do orgasmo psíquico, em desfavor do comum orgasmo genital. Vi em Karima uma rapariga nova, a sobreviver.

Algumas cenas eram extremamente longas, o que tornava cenas de pouco relevo e conteúdo demasiado aborrecidas, mas por outro lado havia uma certa comicidade quando o escravo sexual estava em cena. Como ele era tratado 24 horas por dia dessa forma, ela fazia dele um verdadeiro escravo e não tinha remorsos em o tratar assim. O que trazia algumas situações em que o publico chegava mesmo a dar umas gargalhadas.

doclisboa karima a vestir-se

Clarisse Hahn extende-se sobre o sexo e a morte, mas sempre fora dos lugares comuns. Neste documentário os planos são sempre de grande proximidade, lentos, sob luz artificial. Excepto, já no fim, quando filma Karima a sair para um “dia no campo”.

doclisboa hahn karima

Cinematografia: de Clarisse Hahn

2005 “Les Protestants”, filme documentário, 85 minutos
2002 “Karima”, filme documentário, 98 minutos
2000 “Ovidie”, filme documentário, 116 minutos
1999 “Hôpital”, filme documentário, 56 minutos

Biografia de Clarisse Hahn

~ por Pedro Carvalho em Outubro 21, 2007.

5 Respostas to “Documentário: Karima – 2002 – Clarisse Hahn”

  1. Parece ser um filme interessante :)
    Gostei da maneira como começaste o texto..first fist-fuck (can’t imagine the pain :S ) e depois quando ele se começou a masturbar è que as pessoas começaram a sair.
    Gostava de ver o filme para ver a relação dela com o seu servo..espero que nao fosse sempre sexual..
    É pena as pessoas fixarem-se mais na parte sm do que na bd..imho bd dá-me uma abstracção maior, é como ouvir de certa forma Esoteric..mas o que é bd para mim pode ser sm para a outra pessoa :)

    Tudo de bom

  2. Olá Rui!
    é um documentário.
    Pela expressão do homem ele não parecia estar com dores até pelo contrário estava bem animado. O ánus é terminado por um músculo por isso pode ser “moldado”. Até existem níveis e pessoas que alargam este músculo como hobby. A sério!
    Como se pode /ler/ no post o documentário segue uma dominatrix durante um ano mas ela lida com o sexo diariamente por isso, é natural que existam imensas cenas/conversas sobre sexo.

    Pena, não sei. cada um faz o que quer. E pela tua última frase, compreendes isso. quando falas em bd referes-te a D/s? a bondage?

  3. Sim eu sei que pode ser “moldado” , mas não é de um momento para o outro..Esse “can’t imagine the pain” era uma suposição pessoal.. still in the infancy still playing with toys :)
    Refiro-me aos dois, se bem que têm sensações diferentes. D/s serve-me como abstracção, it’s not me,i’m enjoying the process and enjoying not being me.. Bondage é um pouco diferente, implica um certa submissão claro,mas algo mais fisico, mais punishment like..mas ai está o que para mim pode ser uma experencia para a outra pessoa pode ser a libertação das suas tendencias sádicas..
    And that sums up my relationship with doom..it sooner or later had to get physical..and my master enjoys that

  4. Não posso ir muito além pois jamais experimentei D/s, mas se por um lado fascina-me o facto de alguém se dedicar irracionalmente a outra pessoa, assusta-me em igual medida essa tendência ?humana? para a submissão, especialmente quando vemos isso na cegueira da rotina, e consequentemente, a banalização e perca de liberdades dos cidadãos. Se calhar estou a extrapolar demais, mas enfim, i’m back on a “Bill Hicks wave”…

  5. A dedicação irracional a outra pessoa, pelo menos no caso, de práticas D/s não é algo “naive”, eu tambem tiro algo.
    Não é só a entrega, não é só a parte de estar submisso a outra pessoa, não é só a parte de deixar a humanidade de parte.É tudo isso e mais alguma coisa.
    Mas tambem tou a falar da minha perspectiva como submisso (“slave”).Um “master” provavelmente diria-te que gosta de controlar outra pessoa e descarregar nela a sua vida. Como disseste, existe uma tendencia humana para a submissão..mas pelo menos neste caso sei a minha posição

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