Filme: Michou d’Auber – 2007 – Thomas Gilou
Ainda durante a festa do cinema francês em Évora, pude ver Michou d’Auber e
Les Chansons d’amour no último dia.
Michou d’Auber – Comédia dramática – 2h04
Realização
Thomas Gilou
Com
Gérard Depardieu, Nathalie Baye, Mathieu Amalric, Samy Seghir
Produção
Michel Feller e Pierre-Ange Le Pogam (Europa Corp. /TF1 Films Production)
Estreou em França:
* 28/02/07
Sinopse ( retirado de 8ª Festa do Cinema Francês)
Estamos em 1960, no contexto conturbado dos “acontecimentos” da Argélia. Messaoud, 9 anos, vive em Aubervilliers. Com a mãe doente, o pai vê-se obrigado a colocá-lo numa família de acolhimento. Gisèle vive na região do Berry com o marido, Georges, um antigo militar. Para acolher Messaoud, Gisèle decide ocultar a sua identidade perante a população da aldeia, mas também perante Georges. Messaoud torna-se então Michel, “Michou”, e é com esta identidade que vai descobrir a França profunda. Mas a mentira de Gisèle acabará por ser descoberta.
A minha opinião:
Gostei muito do filme. O cenário estava impecável, a retractar muito bem a época (penso eu). Começou por mostrar a instabilidade e mudança daquele tempo. A viagem começa quando as crianças são largados pelo pai numa instituição de abrigo de crianças. Depois os dois irmãos são separados, o mais velho para uma quinta e o mais novo para a casa de Gisèle e Georges.
Com a cumplicidade do professor destacado para aquele vila e do padre, e um produto para aloirar o cabelo de Messaoud, Gisèle consegue encobrir a identidade, e aos poucos aproximar-se do miúdo. Georges, que no inicio ainda tem uma certa fobia/ódio aos árabes, também se deixa encantar por ele, chegando a desconfiar, sem malícia, que Messaoud seria árabe.
Pelo meio as acções dos dois adultos falam de uma relação frustrada e de novas paixões. Ele pela moça da papelaria e ela pelo professor. Michou é aliciado algumas vezes pelo irmão que foge da quinta a fugirem juntos. Numa das vezes uma milícia que andava a fazer preparativos semelhantes à
Kristallnacht (mas em menor escala e contra os árabes e simpatizantes), ele foi apanhado por esta e foi-lhe pintado o rabo com tinta branca. Isto desencadeou grande fúria em Georges, e confrontando os outros homens da vila, ficou a saber do caso da sua mulher com o professor. Isto foi talvez o inicio de uma sequência muito emotiva.
Foi interessante ficar a saber de um pouco desta época que antecedeu o Maio de 68. Pelo meio, iam sendo transmitido alguns discursos do General de Gaulle.
Com os acontecimentos de 2005, parece que muitos dos problemas de então, mantêm-se.
O filme conta uma pequena história, que muitas vezes se terá repetido, mas felizmente enquadra-a numa perspectiva densa e histórica, com um sentido de humor bastante relaxado.
Uma coisa ressaltou, que foi o facto de ser muito comum que as personagens, e hoje em dia ainda vejo isso, têm em conta uma pessoa, mas quando se apercebem que esta está de algum modo relacionada com algo que odeiam, expressam publicamente o seu ódio e a repulsa a essa pessoa.
Também eu sou culpado, pois desagrada-me tanto certos comportamentos, mas não vou tão longe a impor as minhas opiniões sobre os outros. Mas quando este é um jogo em que são estas as regras impostas por estes, não tenho pudor e exprimo a minhas ideias tentando refutar essas imposições. Como muitas vezes o faço em relação ao veganismo, (a minha falta de) religião, etc.
O filme subtilmente, mostrou que era possível conviver e aprender com aqueles que julgavam serem inferiores ou odiados. Foi uma linha de pensamento que gostei muito de acompanhar. Gostei também da cena onde ele vai até a casa dos outros conterraneos das montanhas da Algéria, todas com as tatuagens e pinturas típicas.





